Laboratório Laboratório Itinerante de Pesquisa do Aprendizado com Modelos Vivos
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BioChip Rumo ao Leste Janeiro de 2004

Conclusões da Equipe

 

Ana Branco

Gratidões para apresentação - Ana Branco –jan 2004

 Agradeço ser neta de Zé Branco, autodidata, aprendeu a ler com a Bíblia, aprendeu a tocar flauta com um instrumento de prata numa caixa forrada de vermelho. Quando acabava de tocar esvaziava  a flauta do cuspe que soprava junto. Depois de um dia de trabalho , se dedicava a construir moto-contínuo, engrenagens que, de tanta delicadeza nos encontros de uma peça com a outra, poderia gerar um movimento infinito e eterno. Não mostrava  isso pra ninguém , ficava fechado dentro de um galpão que construiu só pra isso, sabendo que todos que tentaram fazer isso antes dele estavam no hospício. Meus tios e avós zombavam disso. Trabalhava como torneiro mecânico e eu bem pequena ficava o dia inteiro embaixo do torno recebendo as farpas de metal enroladinho que caiam...usava isso para fazer os cabelos das bonecas...ele ria pra mim. Quando mergulhava um ferro em braza  na água fria do tanque, estava lá eu nadando...e ele ria pra mim. Viajávamos juntos de Land Rover para buscar carvão, só o que aparecia de nossas caras era o branco dos dentes, quando ele ria pra mim... , o resto todo preto!  Antes de partir, me pediu que continuasse a  fazer o moto contínuo porque ainda não estava pronto , e eu aceitei . Hoje vejo que busco a mesma coisa , busco o que é eterno!

Agradeço a coragem de minha mãe Irene, filha de Zé Branco , por amor, acompanhar meu pai para ter filhos sozinha em Porto Alegre, onde eu era sua boneca, sua alegria, sua companhia porque meu pai viajava. Agradeço ,quando a noite , meu pai chegava , ela contava o que eu não tinha feito que eles consideram que eu devia fazer, por exemplo lavar a louça ou varrer a casa....levava uma surra todos os dias porque não obedecia aos comandos externos, somente aos internos,  gerando em mim uma confiança na rebeldia, que acredito seja o que mais quero deixar de herança para  quem vem depois. Agradeço ter aprendido com ela a desenhar com a tridimensão, usava a tesoura para modelar o que queria mostrar antes de fazer as roupas impecáveis que costurava para todos os filhos , amigos, irmãs , neto e bisneta.Agradeço sua coragem durante sua travessia, convida as filhas para ajudá-la a ter força para esse momento que dizia ser a coisa mais importante que tínhamos que fazer! Pede para beber a clorofila , silêncio e paz . Ilumina nossas perguntas ,  irradiando o que estava vivendo. E no dia de Sant’Ana, ela se despede de mim dizendo “minha filha , deixo para você de herança a coisa mais bonita que eu sempre tive, a minha vida abençoada”

Agradeço meu pai ser baixinho, que gerou nele uma vontade de ser grande! Grande era o seu silencio quando velava nosso sono quando ficávamos doente. Suas histórias enormes que misturavam realidade e as fantasias de sua infância ...a historia do aniversário do peixinho contada milhares de vezes... Grande era o seu colo sempre que nos abraçava . Grande eram suas gargalhadas quando via televisão, a gente ria de receber tanta alegria. Grande era a sua forma de lidar com dinheiro, sempre muito rico e generoso. Nunca entendeu o meu trabalho, porem sempre ofereceu ajuda para fazê-lo, computador, lona pra Barraca. Grande foi sua forma de se despedir , agradecendo, agradecendo e fazendo poesia durante sua travessia...

 

Gratidões a Renan....a Maria Luiza.....a Alfredo.....a Diana..... a Olívia.......(em andamento)

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e-mail: ana.branco@uol.com.br

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